O Cenário de Incertezas para 2018

A economia brasileira emite sinais  de que a maior recessão já registrada ficou para trás, vista pelo retrovisor, com melhora nas principais variáveis macroeconômicas acompanhadas: 1) Inflação em baixo patamar e comportada; 2) queda da taxa de juro; 3) crescimento da atividade econômica, 4) queda da taxa de desemprego; 5) contas externas ajustadas; e 6) retomada do crédito.

É bem verdade que estamos vivendo um momento ainda bastante complicado na economia, mas os primeiros passos  já foram dados. Além disso, é preciso colocar uma grande ressalva sobre a situação fiscal brasileira, ainda é uma bomba relógio, das grandes.

Os sinais emitidos por Brasília nos levaram a crer que o ano, em termos de políticas econômicas enfrentará grandes desafios, até mesmo pela falta de credibilidades na atual gestão. Seria uma grande surpresa o Planalto vencer a batalha da Reforma da Previdência sem as grandes concessões, as famosas barganhas. Pode se afirmar que se a reforma não for feita com cortes profundos, basicamente de nada se adiantará.

A agenda proposta pela equipe econômica, ainda que por enquanto apenas no papel, é muito positiva. Há o objetivo central de promover o ajuste fiscal, mas também estão sendo estudadas reformas que impactam a produtividade, como melhora do ambiente de negócios, abertura econômica e outras reformas estruturais.

 

O que se espera para o ano de 2018

No geral, a expectativa para o ano é de que veremos a continuidade da atual tendência das variáveis macroeconômicas. Sendo que no mercado interno existe grandes incertezas no cenário político.

A inflação tem sido a grande surpresa positiva nos últimos meses. Depois de atingir níveis acima do civilizado em 2015 e 2016, a boa política monetária desempenhada pelo Banco Central atual, que retomou a confiança e amarrou as expectativas dos agentes, conseguiu apresentar patamares historicamente baixos.

O IPCA encerrou 2017 muito próximo da banda inferior da meta de inflação vigente, sendo necessário destacar a dinâmica favorável da inflação de alimentos, que não era esperada nessa intensidade por ninguém. Para 2018 não devemos ter tal benefício, mas a firmeza do Banco Central, bem como a elevada capacidade ociosa da economia são fatores que nos permitirão crescer sem gerar uma aceleração inflacionária aguda. O Boletim Focus costuma ser um bom termômetro para a variável, e a mediana do mercado está atualmente em 4,06% para 2018, além de muito bem ancorada para os próximos anos. Esta certamente é uma das maiores vitórias da equipe econômica do governo Temer.

Surfando no baixo patamar da inflação, o Banco Central viu uma janela de oportunidade para a redução de juro. Juntamente a isso, um cenário externo mais favorável, com baixo nível de juro nas economias desenvolvidas (que não devem retomar aos patamares verificados antes da adoção das recentes políticas monetárias não convencionais a partir da crise de 2008, estabelece os fundamentos para uma redução da taxa de juro brasileira para níveis historicamente baixos.

As estimativas mais confiáveis da taxa de juro neutra da economia, além de pesquisas feitas pelo Banco Central, sugerem que a taxa brasileira de equilíbrio está próxima de 5,0%. Portanto, o juro real que está próximo de 3,0% é um juro que estimula a atividade econômica, ou seja, estamos numa política monetária claramente expansionista. Não devemos ver a autoridade monetária indo muito além desse nível, dado a expectativa de crescimento econômico. Somente após a adoção das principais reformas que atacaram a crise fiscal, bem como outras similares a aprovação da TLP (Taxa de Longo Prazo), é que conseguiremos abaixar ainda mais o juro natural brasileiro e assim também derrubar ainda a taxa Selic de forma sustentável, fazendo com que nos aproximemos do mundo civilizado.

Quanto as projeções para o PIB brasileiro acima de 3,0%, alguns próximos de 3,8%. Tal resultado exigiria uma retomada da atividade num ritmo muito maior do que a verificada até então, similares apenas a períodos de muita bonança e estabilidade, ignorando qualquer estresse que as eleições de 2018 podem causar nos agentes. Está tudo meio nebuloso por enquanto no cenário político.

O intervalo entre 2,0 e 2,2% parece mais razoável, ficando muito bem dentro dos bons modelos que utilizam hipóteses críveis para a confiança dos agentes, cenário externo, juro e o nível de incerteza. É muito importante frisar que estamos falando de previsões dentro de um cenário de normalidade, podendo ser alterado de acordo com fatos relevantes no mercado interno.

Pode se afirmar que, a mais longa e intensa recessão passou, e a retomada lenta, gradual e turbulenta está em curso. Para os próximos anos, ocupada toda a ociosidade, o cenário não é animador. O potencial de crescimento está muito baixo, o que exige uma agenda de reformas muito mais intensa e duradoura do que a de ajuste fiscal que vivemos atualmente. O crescimento sustentável brasileiro, dependerá muito dos resultados das eleições desse ano.

Esse é o desenho para a economia brasileira para o ano de 2018. Certamente as maiores surpresas ficarão na política, onde a criatividade do brasileiro é ilimitada. É importante ficarmos de olhos abertos nas principais propostas dos candidatos, pois os humores do mercado vão se alterar muito refletindo as mesmas. Uma boa campanha, com propostas saudáveis de política econômica irão ajudar na dinâmica de 2018 e dos próximos anos, mas é bem provável que as principais agendas serão ocultadas dos debates. O futuro do Brasil depende da participação consciente de todos o brasileiros em busca de um país melhor.

By | 2018-02-07T13:40:46+00:00 fevereiro 7th, 2018|Categories: Cenário Econômico|0 Comments

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