Tendências e Mercado

A cultura financeira da sociedade (Artigo Escrito para o Jornal de Poços em 31/05/2016)

 

A crise econômica financeira e social que estamos atravessando está deixando cicatrizes profundas em nossa sociedade brasileira. Nos últimos anos temos percebido claramente a redução do poder aquisitivo das pessoas de modo geral. A cada dia elas estão cortando gastos, reduzindo despesas e tem a percepção que cada vez mais a situação está piorando. Esse é um fato que vem se agravando rapidamente e em proporções assustadoras. São vários os fatores que justificam essa perda da capacidade de compras da população.

A inflação afeta diretamente a renda das pessoas, pois os preços estão subindo de uma maneira descontrolada e a renda do trabalhador não consegue acompanhar. Se as pessoas não têm receitas suficientes elas deixam de comprar e de consumir, portanto, a indústria reduz sua produção, e o comércio deixa de vender, afetando toda cadeia produtiva gerando desemprego. Hoje temos próximo de onze milhões de desempregados em nosso país, os quais repentinamente perderam seus salários e automaticamente sua capacidade financeira.

Outro fator que vem assolando nossa sociedade é o grau de endividamento que disparou nos últimos anos. O governo de maneira equívoca com políticas erradas incentivou através dos bancos públicos e todo o sistema financeiro a liberação de recursos sem a devida análise da capacidade de pagamentos das pessoas. Colocou no mercado bilhões de reais sem critérios nenhum, bem como incentivou as pessoas a gastar demasiadamente antecipando suas compras. De um momento para o outro a irresponsabilidade do governo gerou nas pessoas a sensação de que todos os problemas estavam resolvidos, uma vez que as pessoas passaram a ter acesso a todos os tipos de financiamentos para a habitação, compra de veículos e bens de consumo com grande facilidade.

Em momento nenhum houve uma gestão eficaz, um planejamento financeiro no sentido de orientar a tomada do credito no mercado. As pessoas passaram a viver uma vida totalmente fora de sua realidade, carro zero financiado a perder de vistas, cartão de credito em longo prazo, crediários e financiamentos de toda espécie. As pessoas precisam aprender a viver com aquilo que tem, adequar seu consumo de acordo com sua capacidade financeira, e não antecipar seus desejos através de financiamentos com taxas de juros elevadas.

Hoje as pessoas caíram na realidade e já estão percebendo que não existem milagres na economia, pois ela não é sustentada com boatos, mas sim com fatos. A grande diferença é que agora as pessoas estão endividadas a médio e longo prazo, e muitas delas não conseguem honrar seus compromissos, ou porque o endividamento está acima da capacidade ou porque perderam o emprego. Essa é a triste realidade do povo brasileiro que não consegue ver uma luz no final do túnel.

É essencial que as pessoas tenham o controle financeiro, já que o “Excesso é o fim da abundância”, portanto não podemos gastar acima do que ganhamos. Como a crise é nacional, todos de uma maneira ou de outra acabam sendo atingidos. Entretanto, as pessoas que tem o controle financeiro gastam menos do que ganham e fazem uma reserva financeira, logo, estas sofrem menos com a crise. É preciso lembrar sempre que nunca podemos gastar por impulsos, evitando a qualquer custos fazer crediário, comprar parcelado com parcelas de médio e longo prazo, pois não sabemos o que poderá acontecer amanhã. Assim, as pessoas devem evitar assumir dívidas de longo prazo.

Para ter estabilidade financeira é preciso haver poupança interna. Existem dois tipos de agentes financeiros, superavitários e deficitários, o superavitário é aquele que possui recursos guardados, e o deficitário é aquele que está endividado, que usa recursos de terceiros. O nosso país encontra-se em uma situação atual deficitária, inclusive aprovou recentemente no congresso nacional um orçamento de R$ 170.5 bilhões de déficit para esse ano. Assim sendo vai gastar mais do que a arrecadação. Com as pessoas acontece a mesma coisa, quando estas utilizam financiamentos, cartão de crédito parcelado, cheque especial, empréstimos e contraem parcelas acima de sua renda mensal. Portanto, a sociedade deve criar a cultura financeira de gastar apenas parte de seus recursos disponíveis e formar poupança.

 

New Way – Consultoria & Treinamentos

Celso Fernandes Lopes

www.newwayfinanceira.com.br

By | 2017-02-14T20:39:42+00:00 fevereiro 14th, 2017|Categories: Sem categoria|0 Comments

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